domingo, 21 de dezembro de 2008

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Dias Nublados


Hoje seria apenas mais um estudo cansativo da ciência mais maléfica que existe: a química, porém, nem tudo saiu como o planejado.
Tudo começou às sete horas da manhã quando meu pai me acordou para irmos à praia (desde que ganhou a prancha de surfe nova isso têm se tornado um hábito feliz para ele e, sem dúvidas, extremamente cansativo para mim). Até este ponto não havia nada exatamente fora do normal, então ele abriu a janela, puxou minhas cobertas e eu o vi. Aquela grande bola incandescente no céu me forçando a ser feliz. Aquela estrela monstruosa queimando toda a paisagem com seus raios e me dizendo que este seria mais um dia perigoso de praia banhado a protetor solar. Pensei imediatamente em inventar alguma doença contagiosa ou uma campanha por dias mais nublados, mas percebi que minhas tentativas estavam fadadas ao fracasso.
Relutante, levantei de minha cama macia e caminhei, cambaleante, até o banheiro sabendo que desistir poderia ter conseqüências terríveis para os meus ouvidos depois. Coloquei meu vestido de praia e, com os olhos ora abertos ora fechados, andei até o carro tendo tomado apenas um copo de leite pelo caminho.
É inacreditável como o sono pode nos deixar resistentes. Fui dormindo no banco de trás do carro nos quarenta minutos que nos levariam à praia sem sentir o quão desconfortável ele era e, quando enfim chegamos, estava torcendo para não ter que levantar. Também é incrível como os pensamentos positivos são fortes (ou negativos, para o meu pai). O mar estava ruim para a prática do surfe e ele decidiu ir a outra praia, o que me daria, pelo menos, mais quarenta e cinco minutos de sono feliz.
Ao chegarmos na outra praia fui diretamente me abrigar dos raios fritantes do grande sol enquanto meu pai ficava se expondo à toda a sua tortura fatal. Talvez por isso sejamos tão contrastantes (eu e meu pai), enquanto eu me mantenho longe do que eu chamo de “tostar” no sol, meu pai se joga de corpo e alma, ou seja, eu sou nada mais que um zumbi branco e ele, um surfista saradão.
Atualmente, só vou à praia pelo amor que eu nutro pelo mar então me sentei e como não estava muito animada para um mergulho, fiquei observando-o longamente. Enquanto estava ‘autistando’ não pude deixar de notar o quanto o sol literalmente torra o nosso singelo planeta que fica no espaço girando como um frango de padaria.
E essa é a cruel realidade: Nós vivemos em um microondas gigante.

Essa foi a minha odisséia de hoje. Parece que o estudo torturante da química acontecerá logo após o almoço e logo após assistir um episódio de Twin Peaks e logo após algumas horas para recuperar o sono perdido e logo após de ah, deixa pra lá...

Here Comes The Sun - Os Beatles e o George Harrinson eram mais otimistas que eu.