terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O Negócio é Curiar.


Minha tia me disse ontem que eu era uma adolescente muito triste por não gostar de carnaval e não ir para as ruas pular loucamente junto (espremidamente) aos foliões drogada de alegria como todo mundo.

Eu digo que, atualmente (para mim), é muito feliz ser triste.


A vida (por "vida" entenda "Tia") tem me colocado em contato com culturas novas (e também chocantes) que se espalham pelo nosso querido e amado Brasil. Isso me rendeu vários traumas e idéias de post que eu esqueci segundos antes de acessar esse computador em uma cidade movimentada (mesmo no último dia de Carnaval -sabe, geralmente todos vão para o mesmo lugar no Carnaval, então é tudo bem simples: Ou o lugar está completamente vazio ou inabitável) chamada Caxias do Sul.

Apesar de todos os imprevistos dessa máquina inconstante que eu chamo tristemente de cérebro (porque cérebro não é uma palavra nada sonora) tentarei exprimir todas as emoções que eu vivi aqui no Sul até agora.

A primeira cidade que a vida me preparou foi Bento Gonçalvez, no interior do Rio Grande do Sul (a vida disse que o interior seria mais interessante -eu também diria se já tivesse conhecido o exterior), um lugar cheio de pessoas simpáticas que te fitam profunda e estranhamente. A parte do fitar incessante foi o primeiro choque -não só em Bento como em todas as cidades até agora. Primeiro pensei o óbvio: eu tenho um cabelo roxo e isso com certeza chama atenção, mas depois percebi que era realmente um hábito fitar as pessoas sem se importar por aqui. Creio que o principal motivo do meu estranhamento esteja no fato de que no Rio de Janeiro as pessoas não olham diretamente uma para as outras na rua. São uns olhares ligeiros de canto de olho daqueles que, quando se percebe, já não estão mais lá. Isso me fez imaginar que aqui não existem aquelas cenas clássicas de desenhos em que acontece algo muito estranho e uma mãe diz bem baixinho para o filho "Não olhe para ele, filhinho...".

Em suma, Bento Gonçalves é uma cidade parecida com Niterói (apesar de bem menor) exceto por alguns fatos bastante estranhos e interessantes. O principal deles (e o que dá origem a todos os outros) é que os descendentes de italianos são, nada menos que, 80% da população. Não é de se estranhar que as comidas típicas sejam as italianas, vendo por esse ponto. Bento também é uma cidade repleta de videiras e é lá que se festeja no início do ano a "Festa da Uva", um evento bastante popular em um local enorme (ah, se usassem aquele espaço para um evento de anime...) cheio de estandes com toda sorte de vinhos entre outros derivados da uva, comida italiana e apresentações de danças típicas do sul e corais italianos. É na Festa da Uva que eles nomeiam a rainha (ou imperatriz, agora não me lembro bem) da uva; o que não é nada menos que uma bela jovem (chamada de "prenda") com um vestido muito estranho, duas acompanhantes e um grande sorriso no rosto. Muito triste e muito cultural (expressando a minha opinião, claro).

Foi assim que passei pela pequena cidade de Bento Gonçalves e descobri suas maravilhas e estranhezas. Logo após essas experiências rumamos para uma outra pequena cidade de cerca de quinze mil habitantes chamada Antonio Prado onde ficamos hospedados no hotel de uma senhora muito falante com um sotaque italianado muito singular chamada "Dona Gema", mas isso fica para uma próxima oportunidade porque agora eu tenho mais cultura a absorver e, seguindo a Porto da Pedra, não é hora de postar, o negócio é CURIAR.

P.S.:Após momentos de reflexão, optei por não relatar longamente a dificuldade que tive para escolher a imagem do blog. Não é exatamente medo de palhaços... está mais para um medo de pessoas que tem que esconder o rosto para trabalhar (e no deviantart eles têm verdadeiro prazer por fazer palhaços assustadores).

2 Cortes Letais:

  1. É, Mah. Há culturas diversas: temos que viver nas nossas. Quem sabe conhecer as outras, mas viver nas nossas.

    Quanto aos palhaços e às pessoas que encondem o rosto para trabalhar: alguns dão medo terrível, mesmo!

    Você precisa conhecer Curitiba!

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  2. Muito pra falar

    Muito pra perguntar

    Contentarme-ei apenas com uma resposta, por enquanto:

    O que é Curiar?

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