segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Um Concerto.


As palavras me faltam nos dedos. As bocas, escancaradas, já não se movem a praguejar a insolidez do mundo. Os dedos se perdem nas teclas de um piano. Primeiro uma melodia leve a saudar as almas que conheci, a bailar nos ouvidos dos que me cercaram a vida inteira. Passo então para as notas sóbrias aos irmãos que passaram a vida a lutar a meu lado contra a vida e que, por falta desta, nunca mais verei. Os amores perdidos, notarei triste, porém conformado, que a cor da melodia não se apaga como eles. A mim, num descompasso, uma queda brusca de sentido. Indançável, intocável, som que nem eu conheço ao todo e passei a vida a tentar atribuir sentido. Por fim, encerro, com a mais doce melodia, a mais triste, a mais bela, que carrego na mente a todo instante, que rasteja pelos meus ouvidos enquanto durmo e nubla minha mente enquanto vivo. A melodia das amantes que nunca conheci.

4 Cortes Letais:

  1. caramba...
    vc toca piano? 0.o

    po, é exatamente assim q me sinto...
    é como se aos poucos, qndo vc aprende a ficar a vontade e sem compromisso perto do piano, ele vira um "amante secreto", vc tá seguro enquanto está ali, enquanto vc expõe pra ele tudo o q já sentiu antes...
    caramba... genial...

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  2. Eu li, senti, ouvi e vi, assim como o Fábio. Parabéns, menina! ;)

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