sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Arte.

O mundo mudou de cor
rápido e mesquinho
A lapiseira me trai
Páginas sobram
brancas, intocadas

As palavras de encanto
já não posso alcançá-las
Se foram com o vento,
galanteador indomável

Nos bares, nos cantos
já não há lugar para os poetas,
estes semi vivos rastejantes
vivendo de rimas parcas e vãs
Os corações estão fechados
As bocas estão fechadas

Tudo que me impelia a escrever
se foi
A graça de caçar palavras
Agora sou pura repetição de mim
e já não me basto
porque as mãos já não escrevem
os bares estão vazios

e a arte
sacaneia a nós todos.

17 Cortes Letais:

Mel. disse...

Oh, man... Aquela coisa do "mais do mesmo". Sempre nos renovamos, creio que seus textos acabarão seguindo o mesmo caminho(apesar de não ver sinal algum de repetições).

Yuri disse...

Como diria Sócrates, ao fim dos debates em que saia vitorioso:

Rá!

LEONARDO BRITO disse...

M.A. Que os bares fiquem vazios, que as bocas se calem, que sejam poucas as palavras... Contando que vc continue escrevendo isso nos basta, que se calem a todos, mas que sua lapiseira fale!!! Meus parabéns pelo texo!!!!!

philosophystrikesagain disse...

as palavras são as mais sacanas.se fazem de amiguinhas,tal,te tratam bem,dão carinho,colo quentinho e depois te abandonam e ficam rindo de você.safadinhas!

Katrina disse...

Eu costumava estuprar as minhas folhas brancas, deixo isso meio de lado nos últimos dias.
A arte, olha, ela é um puta.

Fábio disse...

a sacanagem aqui é da boa :]

Fábio Racoski disse...

Não só sacaneia como "escaneia" a nós todos!

Obrigado pelo comentário no blogue. Já estava com saudade dos seus textos, e esse poema veio de forma magnífica.

thaic. disse...

noh, ela sacaneia, mas alguma hora ela volta as boas. provavelmente é só uma tpm.

[M]. Atahualpa disse...

Poetas são apenas pessoas que não conseguem ser sinceras verbalmente. Escrevem aquilo que gostariam de ouvir, viver e sentir.

Escrevem para não sentirem-se sós.
Paz aê, gostei do que li.

sandra disse...

muito bom , escreva escreva cada vez mais
sandra

Nádia C. disse...

"Agora sou pura repetição de mim
e já não me basto
porque as mãos já não escrevem
os bares estão vazios"

Será um daqueles momentos em que tudo parece "puff". Com mãos ávidas por palavras, como se quisesse tocar novamente o corpo morto de um grande amor o.o

Leite, gabi disse...

por mais q ela tente diizer q já não consegue escrever, fica cada vez melhor... me impressiono cada vez mais..

Carta e Verso disse...

Todos os que escrevemos nos autocopiamos, ou copiamos aos demais, ou "escaneamos", como bem disse o mestre Fábio. O interessante, a meu ver, é quando podemos fazer isso com um tempero novo. É algo como reaproveitar a comida do dia anterior, misturando alguma outra coisa perdida na geladeira, dando um sabor interessante no final. Acho que o final do seu poema é exatamente isso. Esse "sacaneia" que chega sem avisar, é como uma maneira de quebrar, romper, com o que vinha sendo dito de maneira mais lírica. Muito bom!

Yuri disse...

Conste nos autos que os cortes letais que apareceram por aqui são a melhor prova que posso lhe dar.

D. Q. M. disse...

agora sei porque acontece de a página ficar em branco quando penso que quero escrever alguma coisa... sacanagem isso! rsrs...
estarei por aqui quando puder.
abraços!

Kah disse...

Palmas, seus textos são e sempre serão incriveis *-*. Vejo você cada vez melhorar mais. Ah, to com blog novo: http://borboletas-interiores.blogspot.com/... Beijos moça ;*

João disse...

Primeiro Parabéns pelo blog!! Achei o layout incrível ! Um clima super bacana. Altamente doce e mortal.
Adoooorei a foto! acho que tá bem no tom do que vc escreveu.
Momentos de escassez literária que nos perseguem. Comigo é sempre escasso, é sempre difícil. É arrancar o que dentro de mim está adormecido e esquecido. Aquilo que ao mesmo tempo quer ficar e quer sair.

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