O som de batidas na porta entra no apartamento com vigor, se choca contra a grande quantidade de objetos empilhados e, tonto, sai pela janela; queda fatal. O jovem de cabelos desalinhados abre a porta segurando displicentemente uma garrafa recém comprada de vinho que não será aberta. Sua recepção se dá por um sorriso inteligente e fugaz. A moça entra sem esperar convite audível. Passos fortes e firmes tendo como único destino seus lábios. Com ela, um movimento leve e pertinente de sobrancelhas.
Depois, enlaçados, a valsa os acomete. Ritmo único ao tombo enamorado nos lençóis. A cama não estava arrumada, mas isso já havia deixado de ser um problema. Era sempre surpreendente entrar em contato com o corpo nu de Simone. Constatar novamente todo aquele calor que sua pele delicada e fina emanava sem, no entanto, romper-se. Ao longe, os livros que sem outra opção observavam o ato contínuo de abraços e sons sem significado literal, aplaudiam. Não eram, de todo, tomados pelo pudor. Somente alguns poucos destoavam das pilhas: certos romances que sentiam ligeiro rubor em suas lombadas e poucos livros médicos, analíticos, que se restringiam a alguns “hum” e “oh” de admiração.
Então, como nenhuma noite é plena de amor, chegaram aos seus (ou seria apenas um?) ápices e, tão ligeiro quanto, o último suspiro saiu a brincar em seus ouvidos.
Se olharam e exibiram pequenos ares de felicidade franceses; não eram dados a esboçar grandes emoções. E, tão logo se separaram, as mãos e os cérebros, como que tomados por um único impulso elétrico, se ativaram e antes que uma mosca que passava distraidamente pudesse notar com seu olhar veloz de mosca, já estavam cada um com lápis e papel em punho e entregues, desta vez, profunda e apaixonadamente, a si mesmos.
Sartre e Simone: O existencialismo começa depois do sexo.
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Alguma coisa que eu tive vontade de fazer enquanto tomava banho sem pretensão alguma de saber alguma coisa sobre a vida de qualquer um dos dois. Sério, nem pesquisei na wikipedia. Pura ficção.
Estou pensando em fazer mais alguns devaneios desses com gente conhecida com auxílio do meu namorado ;D
Nietzsche? Hegel? É isso.

Aproveito pra dizer mais uma vez o quanto gostei particularmente da participação dos livros de medicina. E destaco que se há Nietzsche e há Hegel, Schopenhauer não pode ficar de fora.
ResponderExcluirCara,ADOREI.
ResponderExcluirhauahuhahu
ResponderExcluirSe vc lesse a biografia da Simone, vc teria certeza de como isso é a CARA deles X)
A descrição do ambiente é sua especialidade, vc consegue imprimir certo humor nas personificações sem cortar o clima romântico do casal. (um texto feliz, enfim...? rsrs)
(mas o título não deixa de inspirar algo nazista, e completamente aleatório, ao texto rsrsr)
ResponderExcluirbom com força seu texto, moça!
ResponderExcluiralém de super bem escrito, foi bem legal imagina-los por este lado
prossiga, prossiga!
foi de selvagem ao suave, assim num piscar. E embora eu nao saiba nadinha de Satre e Simone, quase consegui imagina-los com perfeição. você sabe fazer essas coisas, né.
ResponderExcluirjá tinha bastante tempo que eu nao passava por aqui, e fico feliz de ver seus ultimos devaneios de chuveiro. e se eu puder fazer coro a barabara ali em cima deixo registrado o meu "Cara, ADOREI".
Como eu já li as biografias tanto da Simone quanto do Sartre, é quase impossível de acreditar que isso tenha sido pura ficção. É um sonho meio vidente e impresso em palavras.
ResponderExcluirÓtimo, novamente! E será assim que Sartre "virou os olhos"? (Piada sem graça do dia)
ResponderExcluirSobre os grandes personagens: se há Nietzsche, Hegel, Schopenhauer, podem haver os Curie, Bonnie e Clyde, Sid e Nancy... Não, não pense nisso.
Adorei! É exatamente o tipo de coisa que gosto de ler, que sempre vale a pena ser lido! Apesar de pequeno não deixa nem mesdo de ter um Plot Twist!
ResponderExcluirE a vida de todas essas pessoas conhecidas - e por que não simplesmente de todas as pessoas - é recurso inesgotável pra a ficção, que muitas vezes acaba só por dar um pouquinho de brilho àquilo que se julga ser real, como nesse caso. Usar mais pessoas conhecidas é sem dúvida uma idéia legal, e quero muito ver como vão se dar aque quebras de espectativas nos próximos!
Por mais que o Yuri esperneie lá no alto dos comentários vai ser bem dificil fazer algo assim com o Kant, flósofo que ele tanto gosta e eu detesto.
Finalmente deixei um comentário aqui, já era hora! E obrigado pelos seus lá no talvezblog!