segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O Eu, talvez


Hoje tive minha primeira aula no curso sobre Fernando Pessoa e gostaria de dividir aqui minha experiência pelo simples fato de que eu posso.

Estava sentada e, em profundo êxtase em meio à onda de conhecimento daquela alma (ou almas?) singular que é Fernando Pessoa, não pude deixar de fazer algo que é propriamente desta alma pouco singular chamada Marília: pensar em algo totalmente diferente.
Pois bem, estava minha professora, mulher admirável, apaixonada, inteligentíssima, tecendo comentários maravilhosos sobre este escritor plural enquanto minha mente se dividia pensando nela, Clarice Lispector.
Dediquei uma parte do meu raciocínio limitado a me perguntar o que fazia dos textos da Clarice serem mais do que escritos de uma autora absolutamente genial; serem, como dizem, um reflexo, vislumbre que seja, do pensamento feminino. Neste ponto já estava toda mergulhada nessa jornada em busca do que seria o real modo de pensar (talvez ver?) feminino; foi quando pensei que poderia encontrá-lo no lugar mais inusitado: minha própria cabeça. Percorri, então, meu cérebro em busca desta essência mágica que permeava os textos de Clarice e que iam além da pura genialidade.
Pois aconteceu: virando uma esquina sombria de um canto esquecido da consciência (ou seria puro sonho?) encontrei meu lado feminino. Fiquei imersa, pura admiração. Me perdi. Acordei no Fernando Pessoa sem saber o que era feminino de fato em qualquer coisa do mundo e o que não era.
Clarice? Ainda uma mulher das letras absolutamente genial que gostava de escrever sobre mulheres. O eu feminino é lenda, sonho, perdição, acontece, de fato.

Um dia eu mostro minha esperteza em Fernando Pessoa, ainda estou trabalhando meu texto sobre ele. Deve ficar bem parecido com o do Sartre e da Simone: pouca pesquisa, muito devaneio. É assim que eu me divirto.

Estou querendo, também, postar mais coisas inúteis, como este pequeno lapso de pensamento aqui.

6 Cortes Letais:

  1. Só não digo que seja inútil, pois adorei o que você escreveu. Até hoje, não li nada tão singular e profundo quanto a Clarice Lispector.

    Ah, e sobre meu poema lá: O objeto a ser desvendado é minha percepção falha; não quis passar outra pintura no poema mas, composições também são como filhos. Peço desculpas se pareceu diferente e agradeço o comentário.

    Um abraço!

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  2. Que lindo. Lembrei de uma frase da Clarice:
    "Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca."

    Ela é fantástica, sinto como se os textos dela fossem uma parte de mim, tudo que eu queria dizer e nunca fui capaz de transformar em palavras.

    Ansiosa pelo texto do Fernando Pessoa =)

    Beijos ;*

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  3. E tá podendo mesmo! hauauahh

    Ansiosa por esse texto do Fernando Pessoa (há açguma chance rolar alguma da Clarice tb? *.*)

    Essa frase da Karina também... chocante!

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  4. Que bonito, querida.
    Imagino quao lindo será esse texto prometido (e lembre que promessa é débito a ser cumprido. rs)

    beijos, flor.

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  5. Fernando, Clarice, Marília...

    todos fantásticos!

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  6. não tinha visto que tinha voltado! nem olhe meu Blog, por favor, que meus textos estão um desgosto só. já os seus sempre são lindíssimos! Enfim. Terminei há algumas semanas A Hora da Estrela. Que mulher! Dá até inveja, rsrs. Adoro esse trecho. É daquele que você pensa, 'Poxa! Eu queria ter escrito isso.' Beijos, Marília. Sua carta chega esse ano ainda, espera só mais um pouco, tenho tanto pra falar!!
    "Vou agora começar pelo meio dizendo que -
    - que ela era incompetente. Incompetente para a vida. Faltava-lhe o jeito de se ajeitar. Só vagamente tomava conhecimento da espécie da ausência que tinha de si mesma. Se fosse criatura que se exprimisse diria: o mundo é fora de mim, eu sou fora de mim."

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