terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

eu

Crio gatos porque sei que as borboletas não pousam em minhas mãos.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012





Mais um aniversário e o que vem de quem se gosta é o que mais marca esse período que não tem mais nenhum valor. Agradeço a todos.










6 amigos publicaram na linha do tempo de Marília para desejar-lhe feliz aniversário.

  • Felipe Teixeira
    Como eu sei que você não curte muito ficar velha (ops... falei ;x) só vou te dar um FELIZ NATAL atrasado =DDDD

  • Hernani Soares
    Minha querida, muitas felicidades neste dia!

  • Monica Moraes
    Parabens , tudo de bom.Bjs




Soneto a uma jovem escritora

Semeia verbos menina aventura
e, ao semeá-los, lança seu perfume
envolvente. Irressistível leitura!
Flor mais bela, claro e angélico lume.

Poema em vida, viva flor. VidaFlôr.
Marília menina artista canção
vívida em prosa, em verso, encanto e amor
às letras, arte de dor e paixão.

Aceites este soneto singelo
como um presente de um fã, de um amigo.
Verso pobre, mas ricamente belo

porque ele é feito a versejar-te, e sigo
a aplaudir-te, jovem artista, pelo
sempre. As Letras estão todas contigo.

Fábio Pedro Racoski










sei pouco,
quase nada,
sobre M.A.
sei que estuda muito
e é um ser sensível,
que tem a cabeça com um turbilhão de ideias,
de sensações
sei que na sua procura pela poesia
já é poeta.
de M.A. sei que hoje o A é de aniversário,
e o M,
ah, o M
é a lagarta que virou mariposa,
a pessoa que dormiu menina
e acordou mulher.

I.R.


sábado, 14 de janeiro de 2012

O Ovo

Confesso, pesadamente, que não vejo muito caminho para as minhas escritas desajeitadas. A julgar pelo retorno de um amigo querido entre cinco aos quais enviei este conto que vos apresento, optei por torná-lo enfim público e não fazer de jóia bijuteria de gaveta.

Eis o que se segue, com agradecimentos especiais a Eduardo Martins, por sua paciência em lê-lo e comentá-lo.


O Ovo
Despertou assumindo pela pele úmida, imersa no calor gelatinoso, os limites de seu cárcere. Seu primeiro sentimento de mundo, o tolhimento e certa pressão constrangedora no peito nu. Pressão e abandono, em tráfego; o sangue banhava a carne viva, modelando a frágil conjuntura formada por microscópicos fragmentos, sem consciência plena de sua forma.
Apreendia, os olhos abertos, imerso na escuridão, os limites insensíveis de sua casca. A lisidez do invólucro abraçava seu corpo contido, embalado pela ânsia adormecida de movimento; a pretensão ao fluxo asfixiando os membros, forçando-os a se debaterem por esse movimento livre, independente, ocasionando uma rachadura no casco. O som, primeira noção de ruptura, vibrou, evidenciando todo o imediatismo e devastação da quebra. O pânico congelou seus músculos recém-formados. Aprendeu, com o corte, o sentimento do laço. Seu casco era, antes de barreira opressora, um berço de proteção contra o que não podia compreender; contra a consequência, talvez letal, do salto que significa a separação. O calor do aconchego acolheu seu corpo. A sombra limitando, acolhedora, sua visão e vislumbre imaginativo de uma realidade hostil que se escondia além do limiar distinguível da estrutura pálida. Adormeceu.
Foi acordado por um choque enérgico à esquerda de seu corpo. O ambiente mudara. Na diferença de cor, pôde perceber com detalhamento indecoroso a complexidade fibrosa que o envolvia construindo uma noção mais real do que era a conjugação de minúsculas partes em todo uno, firme, inabalável. A emoção possuiu seu peito despertando o desejo de louvar tudo o que é rígido e com valor de eternidade, mas cessou.
A furiosa intriga gerada pelo choque desviou seu pensamento-primeiro. Revirou seu corpo em formação produzindo um uivo grosseiro e forte de modo a despertar a entidade brutal do outro lado da casca. Nenhum ruído. Mexeu e rolou, com alguma dispersão mental, mas não houve resposta. O calor do mistério amaciava sua carne num fremir contínuo de escuridão. O medo acomodava-se em seu espírito de modo a compor peso imperceptível ante a voracidade do seu desejo; a casca moldando-se em obstáculo a ser transposto. A firmeza calcificada de seu corpo ansiava pelo rompimento com a treva do calabouço de sua mente e ovo, as artérias pulsando a precisão inabalável do tempo.
O fluxo enérgico escravizou seus músculos, forçando-os a romperem com alívio e dor excruciante o invólucro, permitindo que um fio de luz quebrasse a superfície vítrea e esbranquiçada de seus olhos. Grunhiu. Não sabia, não conhecia a natureza da luz que, como a escuridão, cega. Desejou a cegueira indolor de sua matriz protetora, o desamparo escavando a carne de seus tornozelos qual correntes de aço imobilizando sua parte inferior. Era esse o meio do salto previsto, o abismo da incompletude pairando sob seu corpo elevado, evidenciando o resultado da falha.
Temia a dor e desconhecia a morte. Movia-se pelo desejo buscando o outro lado da falha. Libertou, por fim, a sua forma mole encobrindo com a gosma cinza primordial a superfície rígida na qual se sustentava cambaleante, os olhos ainda lacerados pela súbita iluminação. Deixando-se banhar pela sensação das coisas, não forçou abri-los. Preferiu antes alimentar seus outros sentidos famintos de novidade. O cheiro e sensação do vento e o sabor rude de suas mãos flutuavam inconscientes como provas de verdade. O sentimento de imutabilidade transcrito em som, sabor e sentido; fugaz como o que um dia foi ovo e hoje se desmancha sobre seus pequeninos pés.
Abriu os olhos como a oferecer em sacrifício a sua visão nova à cor e forma da verdade em um abraço de entrega fremente. Viu, sentiu, ouviu e desejou pertencer, por fim, a tudo que existe; à realidade firme que encerra toda coisa e, inspirando com a força e vontade de sentir rebentar em ondas de veracidade seus pulmões, sentiu-se aproximar do seu desejo de enlace.
Era o que ele sentia, mas que não poderia conhecer como ar, o que recobria tudo alcançável, o invólucro protetor de toda a forma adormecida. Seu maior desejo foi então ser um com o que protegia tudo o que existia, tudo o que podia apreender com os sentidos recém-descobertos. E a única maneira de alcançar o que se almeja é através da ruptura com o que aprisiona.
Sentia a força que fazia seus pés agarrarem-se fortemente à árvore e a libertação do salto já puxando seus membros. Desta vez, um salto verdadeiro. E saltou sendo enlaçado pelo seu desejo e força de vontade tornando seu espírito pleno, completo. O segundo da libertação seguinte foi suficientemente necessário à percepção última da incompletude do corpo. Sem asas, desprovido de força, caiu com a velocidade, imediatismo e devastação dos corpos sólidos.
Em seu berço gramado, uma criança gritou:
-Mãe! Mamãe! Tem um bichão morto no quintal!
A mãe aproximou-se de modo a despertar seus olhos para o horror do cadáver de um homem simples.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O poeta estanca, de revés
magro, os olhos arrancados pelo céu
e a areia grossa a cobrir-lhe os pés...

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Seguindo a linha do Rubem Alves em Quarto de Badulaques, que seria da vela, senão queimar até a definitiva morte?